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Como aumentar o NAD+: estratégias estudadas e os seus limites

Exercício, jejum, sono, álcool, vitamina B3, precursores: o que aumenta realmente o NAD+? O que foi medido em humanos, o que provém de animais e os limites dos testes sanguíneos.

Pernas de uma pessoa com sapatilhas brancas em plena passada, diante de uma parede azul-celeste

Como aumentar o NAD+? A pergunta surge quando nos interessamos pelo envelhecimento, pois esta coenzima indispensável à produção de energia diminui com a idade em vários tecidos. Exercício, jejum, sono, álcool, alimentação, suplementos: as estratégias propostas são muitas, mas nem todas foram avaliadas em seres humanos. Este guia distingue o que foi observado em humanos, o que provém de estudos em animais e o que os testes de NAD+ permitem concluir.

O essencial

  • A atividade física é a estratégia mais estudada em humanos: 10 a 12 semanas de treino aumentam a enzima fundamental para o NAD+ no músculo.
  • Os dados sobre os efeitos do jejum e do ritmo circadiano no NAD+ provêm sobretudo de estudos em animais.
  • O álcool transforma o NAD+ do fígado em NADH; precursores como o NR e o NMN aumentam o NAD+ no sangue.
  • Segundo uma análise de sete coortes, o NAD+ no sangue total varia pouco com o estilo de vida: os testes têm os seus limites.

É realmente possível aumentar o NAD+?

Sim, mas não da mesma forma com todas as estratégias. Os precursores tomados como suplementos aumentam o NAD+ medido no sangue: isso está demonstrado. As estratégias ligadas ao estilo de vida atuam sobretudo nas enzimas que produzem e consomem NAD+ nos tecidos, em particular no músculo, e os seus efeitos são mais difíceis de medir.

Para compreender o papel desta molécula, consulta o nosso artigo sobre o que é o NAD+ e por que diminui com a idade. A tabela abaixo resume as estratégias estudadas.

Estratégia Efeito medido Em quem Nível de evidência
Atividade física Aumento da NAMPT e do NAD+ no músculo Adultos, ensaios de 10 a 12 semanas Bom, amostras pequenas
Jejum, restrição calórica Aumento do NAD+ muscular através da AMPK Ratinhos Preliminar
Sono regular Ritmo do NAD+ ao longo de 24 horas Ratinhos, células Indireto
Limitar o álcool Menos NAD+ do fígado convertido em NADH Humanos e animais Sólido (mecanismo)
Vitamina B3, triptofano Matéria-prima do NAD+ Humanos Sólido na prevenção de um défice
Precursores Aumento do NAD+ no sangue Ensaios em humanos Sólido para os níveis no sangue

A atividade física, a estratégia mais bem documentada

No músculo, o NAD+ é produzido sobretudo pela via de reciclagem, cuja enzima limitante se chama NAMPT. Num estudo com 57 adultos, a quantidade de NAMPT no músculo era tanto menor quanto maior a idade dos participantes. Dependia sobretudo da sua capacidade aeróbia máxima.

Treino de resistência aeróbia ou de força?

Ambos aumentaram a NAMPT. Após 12 semanas de treino de resistência aeróbia, a NAMPT no músculo aumentou 12% nos jovens e 28% nas pessoas com 55 ou mais anos. Com o treino de força, os aumentos foram de 25% e 30%. Nos participantes mais velhos, o treino eliminou a diferença associada à idade.

Outro estudo acompanhou 16 adultos sedentários e com excesso de peso, com uma idade média de 59 anos, durante 10 semanas de treino de força, com duas sessões por semana. O NAD+ nos seus músculos aumentou 127% e a NAMPT 15%. Antes do treino, o NAD+ muscular era inferior ao de homens jovens treinados; depois, era comparável.

O que estes estudos não dizem

  • O primeiro mediu a enzima NAMPT, não o NAD+ propriamente dito.
  • O segundo incluiu 16 pessoas e não tinha grupo de controlo.
  • No sangue, os resultados divergem consoante os métodos, como veremos mais adiante.

Estas limitações não diminuem o interesse da atividade física, útil por muitas outras razões. Apenas aconselham prudência perante promessas expressas em números.

Jejum e restrição calórica: sobretudo dados de estudos em animais

O jejum e a restrição calórica são frequentemente apresentados como formas de aumentar o NAD+. Os dados provêm sobretudo de ratinhos. Durante o jejum e após o esforço, o músculo destes animais ativa um sensor de energia, a AMPK, que desencadeia a adaptação do metabolismo através da sirtuína SIRT1. Ora, este sensor atua precisamente aumentando o NAD+ nas células.

Em humanos, as medições diretas do NAD+ nos tecidos após um jejum são raras e não encontrámos nenhum ensaio controlado que demonstre que um protocolo de jejum intermitente aumenta o NAD+. Se fazes jejum por outras razões, pede aconselhamento médico se tomas medicação, tens diabetes ou estás grávida.

Sono e ritmo circadiano

O NAD+ segue um ritmo de 24 horas. Nos ratinhos, o relógio biológico controla a produção de NAMPT, pelo que os níveis de NAD+ oscilam ao longo do dia. Por sua vez, o NAD+ atua sobre o relógio através da sirtuína SIRT1: os dois sistemas estão ligados por um circuito de retroação.

Em humanos, ainda não se sabe se dormir melhor ou manter horários regulares altera o NAD+ nos tecidos. Um sono suficiente e regular continua a ser uma base da saúde, e o nosso guia sobre sono e melatonina apresenta em detalhe as estratégias estudadas.

Álcool: um grande consumidor de NAD+

O álcool é um dos poucos fatores cujo efeito sobre o NAD+ é bem compreendido. No fígado, as duas enzimas que o eliminam, a álcool desidrogenase e depois a aldeído desidrogenase, transformam, cada uma, NAD+ em NADH. A proporção entre as duas formas diminui, tanto no citoplasma como nas mitocôndrias.

Este desequilíbrio abranda outras vias que necessitam de NAD+: a degradação das gorduras, o ciclo de Krebs ou a produção de glicose pelo fígado. O consumo excessivo de álcool também aumenta o risco de uma ingestão insuficiente de vitamina B3. Para compreender o par NAD+/NADH, consulta o nosso artigo dedicado ao tema.

Alimentação: vitamina B3 e triptofano

O NAD+ é produzido a partir de duas matérias-primas alimentares: a vitamina B3 (niacina) e o triptofano, um aminoácido das proteínas. As principais fontes de B3 são o fígado, a carne, o peixe, o marisco e os cereais integrais. Em alguns cereais, a niacina está ligada a outras moléculas e só cerca de 30% é absorvida.

São necessários cerca de 60mg de triptofano para obter o equivalente a 1mg de niacina, e esta conversão diminui se a ingestão de vitamina B2, de vitamina B6 ou de ferro for insuficiente. Em França, a ANSES recomenda 1,6mg de equivalente de niacina por megajoule de energia ingerida, ou seja, 16mg por dia para 10 MJ (cerca de 2 400 kcal).

Duas alegações autorizadas enquadram o papel desta vitamina: «a niacina contribui para o normal metabolismo produtor de energia» e «a niacina contribui para a redução do cansaço e da fadiga». A vitamina B3 e o triptofano têm, cada um, um artigo dedicado.

Os precursores em suplementos: visão geral

Os precursores são formas de vitamina B3, ou moléculas semelhantes, que as células transformam em NAD+. São as estratégias cujo efeito sobre o NAD+ no sangue está mais solidamente demonstrado em humanos.

Precursor Via Em humanos Aspetos a ter em conta
Nicotinamida Reciclagem Forma comum de B3 Limite de segurança: 900mg/dia
Ácido nicotínico Preiss-Handler Forma comum de B3 Afrontamentos a partir de 30 a 50mg
Ribósido de nicotinamida (NR) Reciclagem Aumento do NAD+ no sangue Considerado seguro até 300mg/dia (EFSA)
NMN Reciclagem Aumento do NAD+ no sangue Comparado com o NR num artigo dedicado
NAD+ (cápsula, perfusão) Degradado pelo caminho Dados muito limitados Perfusão: ato médico

O NR é o mais bem documentado. A EFSA considerou-o seguro até 300mg por dia em adultos saudáveis e até 230mg por dia durante a gravidez e a amamentação. Confirmou também que liberta nicotinamida, uma forma de vitamina B3. A dose de 300mg é a do NAD+ Cloreto de nicotinamida-ribósido 300mg da Hexagon®, tomado à razão de uma cápsula por dia.

O NMN utiliza a mesma via de reciclagem e também aumenta o NAD+ no sangue. A escolha entre NMN e NR é abordada num artigo dedicado, tal como os resultados dos ensaios clínicos com NR. O ácido nicotínico é um precursor clássico, mas provoca afrontamentos, e a ANSES fixa o seu limite de segurança em 10mg por dia. Para a nicotinamida, o limite é de 900mg por dia; foram notificadas náuseas e toxicidade hepática com cerca de 3 g por dia.

É possível medir o NAD+? O que os testes permitem concluir

Sim, no sangue. Além das análises laboratoriais, existem testes com uma gota de sangue recolhida na ponta do dedo. Mas medem o NAD+ do sangue total, não o dos tecidos, como o músculo ou o cérebro.

Os resultados são contraditórios. Com um teste da ponta do dedo, uma equipa observou um aumento do NAD+ no sangue após exercício de resistência aeróbia ou NMN e um nível basal estável durante 100 dias na mesma pessoa. Pelo contrário, uma análise de 2026, realizada com um método laboratorial rigorosamente validado, encontrou níveis de NAD+ no sangue estáveis com a idade e durante intervenções no estilo de vida. Apenas o ribósido de nicotinamida os aumentava.

Na prática, um teste pode verificar se um precursor aumenta o NAD+ no sangue. Não permite avaliar uma «idade biológica» nem saber o que acontece nos tecidos. Aliás, os autores da análise de 2026 questionam o interesse do NAD+ no sangue como marcador do envelhecimento ou do estilo de vida.

Perguntas frequentes

O café aumenta o NAD+?

O café contém trigonelina, uma molécula que as células conseguem transformar em NAD+. Aumenta o NAD+ em vermes, em ratinhos e em células musculares humanas em cultura. Em humanos, dispomos apenas de correlações: o nível de trigonelina no sangue é inferior nas pessoas com sarcopenia. O estudo foi realizado, em grande parte, pelo centro de investigação de um grupo agroalimentar.

As perfusões de NAD+ são úteis?

Foram muito pouco estudadas. Num estudo-piloto, 750mg de NAD+ administrados por perfusão durante 6 horas a 8 homens saudáveis desapareceram do plasma nas primeiras duas horas, provavelmente degradados por enzimas do sangue. O estudo não mediu qualquer efeito sobre a saúde, e uma perfusão continua a ser um ato médico.

Há interesse em tomar NAD+ em cápsulas?

O NAD+ dos alimentos é transformado em nicotinamida no intestino antes de ser absorvido. Assim, uma cápsula de NAD+ atua provavelmente sobretudo como fonte de vitamina B3, e não como NAD+ pronto a utilizar. É por isso que a investigação se concentrou em precursores como o NR.

Porque é que o exercício aumenta o NAD+ no músculo?

O treino aumenta a densidade de mitocôndrias no músculo. No ensaio de treino de força, o aumento do NAD+ acompanhou o da atividade da citrato sintase, um marcador dessa densidade. Esta atividade aumentou 183%. No entanto, a relação de causa e efeito ainda está por demonstrar.

A alimentação, por si só, pode aumentar o NAD+?

Fornece a matéria-prima e evita um défice, o que é o essencial. Uma porção de carne ou peixe fornece 5 a 10mg de niacina, enquanto uma cápsula de 300mg de NR liberta cerca de 126mg de nicotinamida, muito acima das necessidades. O interesse deste excedente para a saúde de uma pessoa sem carência não está demonstrado.

Os homens e as mulheres têm o mesmo nível de NAD+?

Não exatamente. No estudo que utilizou um teste da ponta do dedo, os homens tinham, em média, um nível de NAD+ no sangue superior ao das mulheres antes dos 50 anos. Desconhece-se se esta diferença tem alguma consequência para a saúde.

Conclusão

Para aumentar o NAD+, a estratégia mais bem sustentada em humanos continua a ser a atividade física, tanto de resistência aeróbia como de força, que estimula a NAMPT e o NAD+ no músculo. Limitar o álcool e assegurar as necessidades de vitamina B3 e triptofano preservam a matéria-prima e o equilíbrio entre NAD+ e NADH. O jejum e o ritmo circadiano continuam a ser pistas sobretudo de estudos em animais. Os precursores aumentam o NAD+ no sangue, mas os seus benefícios para a saúde ainda estão por estabelecer, e os testes sanguíneos nada dizem sobre os tecidos.

Fontes

  1. de Guia RM et al. (2019). Aerobic and resistance exercise training reverses age-dependent decline in NAD+ salvage capacity in human skeletal muscle. Physiological Reports, 7(12), e14139. doi:10.14814/phy2.14139
  2. Lamb DA et al. (2020). Resistance training increases muscle NAD+ and NADH concentrations as well as NAMPT protein levels and global sirtuin activity in middle-aged, overweight, untrained individuals. Aging (Albany NY), 12(10), 9447-9460. doi:10.18632/aging.103218
  3. Cantó C et al. (2009). AMPK regulates energy expenditure by modulating NAD+ metabolism and SIRT1 activity. Nature, 458(7241), 1056-1060. doi:10.1038/nature07813
  4. Cantó C et al. (2010). Interdependence of AMPK and SIRT1 for metabolic adaptation to fasting and exercise in skeletal muscle. Cell Metabolism, 11(3), 213-219. doi:10.1016/j.cmet.2010.02.006
  5. Ramsey KM et al. (2009). Circadian clock feedback cycle through NAMPT-mediated NAD+ biosynthesis. Science, 324(5927), 651-654. doi:10.1126/science.1171641
  6. Cederbaum AI (2012). Alcohol metabolism. Clinics in Liver Disease, 16(4), 667-685. doi:10.1016/j.cld.2012.08.002
  7. NIH Office of Dietary Supplements (2022). Niacin – Fact Sheet for Health Professionals. ods.od.nih.gov
  8. ANSES. Références nutritionnelles pour les vitamines et les minéraux. anses.fr
  9. Règlement (UE) n° 432/2012 établissant une liste des allégations de santé autorisées portant sur les denrées alimentaires. eur-lex.europa.eu
  10. Membrez M et al. (2024). Trigonelline is an NAD+ precursor that improves muscle function during ageing and is reduced in human sarcopenia. Nature Metabolism, 6(3), 433-447. doi:10.1038/s42255-024-00997-x
  11. EFSA NDA Panel (2019). Safety of nicotinamide riboside chloride as a novel food pursuant to Regulation (EU) 2015/2283 and bioavailability of nicotinamide from this source, in the context of Directive 2002/46/EC. EFSA Journal, 17(8), e05775. doi:10.2903/j.efsa.2019.5775
  12. Grant R et al. (2019). A Pilot Study Investigating Changes in the Human Plasma and Urine NAD+ Metabolome During a 6 Hour Intravenous Infusion of NAD+. Frontiers in Aging Neuroscience, 11, 257. doi:10.3389/fnagi.2019.00257
  13. Wang P et al. (2023). Fingerstick blood assay maps real-world NAD+ disparity across gender and age. Aging Cell, 22(10), e13965. doi:10.1111/acel.13965
  14. Tretowicz MM et al. (2026). Human whole-blood NAD+ levels do not vary with age or lifestyle interventions. Nature Metabolism, 8(6), 1282-1290. doi:10.1038/s42255-026-01537-5

Os suplementos alimentares não substituem uma alimentação variada e equilibrada nem um estilo de vida saudável. Pede aconselhamento a um profissional de saúde se tomas medicação, estás grávida ou a amamentar.

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