Voltar ao diário

Como melhorar a memória: o que funciona segundo os estudos

Sono, autotestes, revisões espaçadas, atividade física: o que os estudos mostram realmente para melhorar a memória e o papel, mais modesto, dos nutrientes.

Mãos a folhear cartões em branco, como para rever matéria, diante de uma parede azul-celeste

Um nome que escapa, um código esquecido, matéria que não «entra»: todos gostaríamos de melhorar a memória. A boa notícia é que os métodos mais eficazes são também os mais simples e foram testados em ensaios controlados. Eis o que mostram os estudos sobre sono, técnicas de aprendizagem, atividade física, alimentação, stress, audição e visão, e depois o papel real, mais modesto, dos nutrientes.

O essencial

  • Dormir antes e depois de aprender e testar os próprios conhecimentos estão entre os métodos mais bem sustentados para reter a longo prazo.
  • Espaçar as revisões ao longo do tempo dá melhores resultados do que rever tudo de uma só vez na véspera.
  • A atividade física regular melhora modestamente o desempenho cognitivo após os 50 anos, segundo uma meta-análise de 36 ensaios.
  • Para os nutrientes, só são autorizadas formulações específicas, como «o zinco contribui para uma função cognitiva normal».

Como funciona a memória?

A memória não é uma única gaveta. Funciona em três etapas: a codificação, quando registamos uma informação, a consolidação, quando o cérebro a estabiliza, sobretudo durante o sono, e a recuperação, quando a recordamos no momento pretendido.

Distinguem-se também a memória de trabalho, que mantém alguns elementos na mente durante alguns segundos, e a memória de longo prazo, que armazena conhecimentos, recordações e competências. Cada um dos métodos abaixo atua sobre uma destas etapas.

Porque é que o sono é indispensável para reter informação?

O sono conta antes e depois da aprendizagem. Uma meta-análise publicada em 2021 reuniu os estudos realizados desde 1970 sobre a privação de uma noite completa de sono. Uma noite sem dormir antes de aprender reduz claramente a capacidade de memorizar, com um efeito de dimensão média (g = 0,62). Uma noite sem dormir depois da aprendizagem também prejudica, mas menos (g = 0,28).

Os autores assinalam viés de publicação e estudos frequentemente pequenos: a dimensão exata do efeito continua incerta, mas o seu sentido não muda. Rever matéria toda a noite antes de um exame é, por isso, uma má aposta. Se o sono é um problema, o nosso artigo sobre sono e melatonina faz o ponto da situação.

Testar os próprios conhecimentos: o método mais subestimado para melhorar a memória

Reler apontamentos dá uma sensação de domínio, mas é uma forma pouco eficaz de aprender. Tentar recuperar a informação sem olhar para ela reforça muito mais a recordação: é a prática de recuperação, ou efeito de teste.

Num estudo que se tornou clássico, 180 estudantes leram um texto quatro vezes, ou leram-no uma vez e depois tentaram reproduzi-lo de memória três vezes. Uma semana mais tarde, o grupo que se tinha testado retinha 61% das ideias do texto, contra 40% no grupo que tinha relido. Ainda assim, era este último grupo que se dizia mais confiante.

  • Fecha o livro, escreve tudo o que recordas e depois verifica.
  • Prefere cartões de pergunta e resposta a resumos para reler.
  • Volta a fazer os exercícios sem olhar para a correção.

Devemos espaçar as revisões?

Sim. Rever um conceito várias vezes, deixando tempo entre as sessões, dá melhores resultados do que concentrar o mesmo tempo de trabalho num único bloco. É o efeito de espaçamento, um dos resultados mais sólidos da psicologia da aprendizagem.

Uma meta-análise de referência reuniu 839 comparações de 317 experiências. Mostra também que o intervalo ideal entre duas revisões aumenta com o tempo durante o qual se pretende reter a informação. Na prática, pode rever-se um conceito no dia seguinte, depois alguns dias mais tarde e, a seguir, uma ou duas semanas depois. Em conjunto com os autotestes, é o princípio dos cartões de revisão: revemos mais vezes o que esquecemos e menos vezes o que sabemos.

A atividade física influencia a memória?

O hipocampo, uma estrutura cerebral essencial à memória, diminui com a idade. Num ensaio aleatorizado, 120 adultos mais velhos caminharam 40 minutos, três vezes por semana, durante um ano. O volume do hipocampo aumentou cerca de 2%, enquanto no grupo de controlo, que fazia alongamentos, diminuiu cerca de 1,4%. Este aumento acompanhou melhores resultados na memória espacial.

Uma meta-análise de 36 ensaios em adultos com mais de 50 anos confirma um efeito favorável do exercício nas funções cognitivas: modesto (dimensão do efeito de 0,29), mas constante. As sessões de 45 a 60 minutos, com intensidade pelo menos moderada, estavam associadas aos melhores resultados, e os autores recomendam combinar resistência aeróbia com fortalecimento muscular.

O que comer para a memória?

Nenhum alimento isolado melhora a memória. A investigação estuda sobretudo padrões alimentares completos, em particular a alimentação de tipo mediterrânico: legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, peixe, azeite e frutos de casca rija.

Num ensaio espanhol, 447 pessoas idosas com risco cardiovascular seguiram durante cerca de quatro anos uma dieta mediterrânica enriquecida com azeite ou nozes, ou uma dieta pobre em gorduras. As pontuações cognitivas desceram no grupo de controlo, enquanto se mantiveram estáveis, ou até melhoraram ligeiramente, com a dieta mediterrânica. Estes resultados foram reanalisados em 2018 após desvios ao protocolo no ensaio principal.

O quadro não é inequívoco. Em 2023, um ensaio americano de três anos com 604 pessoas não encontrou qualquer diferença entre a dieta MIND, uma variante da mediterrânica, e uma dieta de controlo: os dois grupos melhoraram. Uma alimentação de tipo mediterrânico é coerente com a saúde do cérebro, sem ser uma garantia.

O stress dificulta a memorização?

Depende do momento. Uma meta-análise de 113 estudos com 6 216 participantes mostra que um stress agudo imediatamente antes ou durante a aprendizagem prejudica, em geral, a memorização. Pelo contrário, um stress logo após a aprendizagem pode reforçar a recordação, se ocorrer no mesmo contexto.

Aprender com tranquilidade continua, por isso, a ser preferível. Para saber mais sobre o stress, consulta o nosso artigo sobre o stress e os ingredientes estudados neste contexto.

Ouvir e ver bem: fatores subestimados

Em 2024, a comissão da revista Lancet sobre a demência identificou catorze fatores de risco modificáveis. Segundo as suas estimativas, atuar sobre esses fatores poderá evitar ou atrasar quase metade dos casos. A perda auditiva representa cerca de 7% dos casos e a perda de visão não corrigida, recentemente acrescentada, cerca de 2%.

Um ensaio testou a ideia diretamente: 977 pessoas dos 70 aos 84 anos com perda auditiva receberam aparelhos auditivos com acompanhamento ou sessões de educação para a saúde. Ao longo de três anos, o declínio cognitivo foi idêntico no conjunto, mas mais lento nos participantes de maior risco. Avaliar a audição e a visão continua a ser uma medida simples.

E os nutrientes? O que diz a regulamentação

O cérebro precisa de muitos nutrientes para funcionar. Mas, na Europa, um suplemento alimentar só pode reivindicar um efeito se este constar da lista de alegações autorizadas, com uma formulação específica e condições de utilização. Para a cognição, esta lista é curta.

Nutriente Formulação autorizada (UE) Condição principal
Ferro «O ferro contribui para uma função cognitiva normal» Produto fonte de ferro
Iodo «O iodo contribui para uma função cognitiva normal» Produto fonte de iodo
Zinco «O zinco contribui para uma função cognitiva normal» Produto fonte de zinco
Vitamina B5 «O ácido pantoténico contribui para um desempenho mental normal» Produto fonte de B5
DHA (ómega-3) «O ácido docosa-hexaenoico (DHA) contribui para a manutenção de uma normal função cerebral» Efeito obtido com 250mg de DHA por dia
B1, B3, B6, B8 (biotina), B9, B12, C, magnésio «… contribui para uma normal função psicológica» Produto fonte do nutriente

Ser «fonte» de um nutriente significa fornecer uma quantidade significativa. Estas alegações descrevem um papel normal: indicam que uma carência prejudica o funcionamento do cérebro, não que uma ingestão adicional melhore a memória de uma pessoa sem carências. O iodo, por exemplo, é abordado no nosso artigo sobre a carência de iodo, e o magnésio no nosso comparativo das diferentes formas de magnésio.

As plantas, por sua vez, não têm qualquer alegação de saúde autorizada. Algumas foram estudadas, como a ashwagandha. A huperzina A, uma molécula extraída de uma planta chinesa da família das licopodiáceas, foi estudada sobretudo em doentes com Alzheimer: consulta o nosso artigo sobre a huperzina A e as suas precauções. A colina, que serve para produzir acetilcolina, é apresentada no nosso artigo sobre as suas necessidades e fontes. Estas substâncias são, por vezes, reunidas sob o termo «nootrópicos», um tema que abordaremos separadamente.

Perguntas frequentes

Os jogos e aplicações de treino cerebral são eficazes?

Melhoram sobretudo o desempenho nos próprios jogos. Uma revisão de 2016 examinou todos os estudos citados pelos principais editores destes programas. Encontrou muitas provas de progresso nas tarefas treinadas, menos em tarefas semelhantes e pouco efeito no desempenho da vida quotidiana.

O método dos loci, ou «palácio da memória», funciona?

Sim, para memorizar listas. Num estudo publicado na Neuron, voluntários sem experiência praticaram-no 30 minutos por dia durante 40 dias. Passaram de cerca de 26 para 62 palavras recordadas numa lista de 72. Quatro meses mais tarde, a sua pontuação ainda superava a inicial em mais de 22 palavras.

Que vitamina tomar para a memória?

Nenhuma vitamina demonstrou melhorar a memória de uma pessoa que não tenha carência. Uma meta-análise de 16 ensaios com 6 276 participantes não encontrou qualquer efeito da vitamina B12, isolada ou associada a outras vitaminas B, nas funções cognitivas de pessoas sem carência. Uma carência comprovada é outra situação: cabe ao médico identificá-la e corrigi-la.

O álcool e o tabaco prejudicam a memória?

O consumo excessivo de álcool e o tabagismo fazem parte dos catorze fatores de risco de demência identificados pela comissão da revista Lancet em 2024. Limitar o álcool e deixar de fumar estão, por isso, entre as medidas recomendadas para preservar as capacidades cognitivas a longo prazo.

Porque temos brancas no dia de um exame?

O stress no momento de recordar dificulta o acesso à informação. A meta-análise sobre o stress citada acima mostra que o stress imediatamente antes ou durante a recuperação da informação prejudica a memória, sobretudo de conteúdos com carga emocional. Chegar descansado e ter praticado com autotestes são duas estratégias concretas.

Perda de memória: quando procurar ajuda?

Esquecer um nome ou as chaves de vez em quando é normal. É útil procurar uma consulta se os esquecimentos se tornarem frequentes, piorarem, dificultarem a vida quotidiana ou preocuparem as pessoas próximas. O médico pode investigar causas reversíveis, como falta de sono, depressão, carência de vitamina B12, uma alteração da tiroide ou o efeito de um medicamento.

Conclusão

Para melhorar a memória, as estratégias mais bem demonstradas são gratuitas: dormir o suficiente, testar os conhecimentos em vez de reler, espaçar as revisões e mexer-se regularmente. Uma alimentação de tipo mediterrânico, aprender com tranquilidade e corrigir uma diminuição da audição ou da visão completam esta base. Os nutrientes desempenham um papel de fundo, enquadrado por alegações específicas: participam num funcionamento normal, não substituem estes hábitos.

Fontes

  1. Newbury CR et al. (2021). Sleep deprivation and memory: Meta-analytic reviews of studies on sleep deprivation before and after learning. Psychological Bulletin, 147(11), 1215-1240. doi:10.1037/bul0000348
  2. Roediger HL, Karpicke JD (2006). Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249-255. doi:10.1111/j.1467-9280.2006.01693.x
  3. Cepeda NJ et al. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: A review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354-380. doi:10.1037/0033-2909.132.3.354
  4. Erickson KI et al. (2011). Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(7), 3017-3022. doi:10.1073/pnas.1015950108
  5. Northey JM et al. (2018). Exercise interventions for cognitive function in adults older than 50: a systematic review with meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 52(3), 154-160. doi:10.1136/bjsports-2016-096587
  6. Valls-Pedret C et al. (2015). Mediterranean Diet and Age-Related Cognitive Decline: A Randomized Clinical Trial. JAMA Internal Medicine, 175(7), 1094-1103 (correção publicada em 2018, 178(12), 1731-1732). doi:10.1001/jamainternmed.2015.1668
  7. Barnes LL et al. (2023). Trial of the MIND Diet for Prevention of Cognitive Decline in Older Persons. New England Journal of Medicine, 389(7), 602-611. doi:10.1056/NEJMoa2302368
  8. Shields GS et al. (2017). The effects of acute stress on episodic memory: A meta-analysis and integrative review. Psychological Bulletin, 143(6), 636-675. doi:10.1037/bul0000100
  9. Livingston G et al. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 404(10452), 572-628. doi:10.1016/S0140-6736(24)01296-0
  10. Lin FR et al. (2023). Hearing intervention versus health education control to reduce cognitive decline in older adults with hearing loss in the USA (ACHIEVE): a multicentre, randomised controlled trial. The Lancet, 402(10404), 786-797. doi:10.1016/S0140-6736(23)01406-X
  11. Règlement (UE) n° 432/2012 de la Commission du 16 mai 2012 établissant une liste des allégations de santé autorisées portant sur les denrées alimentaires, autres que celles faisant référence à la réduction du risque de maladie ainsi qu'au développement et à la santé infantiles. Journal officiel de l'Union européenne, L 136, 1-40 (version consolidée du 19 août 2024). EUR-Lex
  12. Simons DJ et al. (2016). Do "Brain-Training" Programs Work? Psychological Science in the Public Interest, 17(3), 103-186. doi:10.1177/1529100616661983
  13. Dresler M et al. (2017). Mnemonic Training Reshapes Brain Networks to Support Superior Memory. Neuron, 93(5), 1227-1235.e6. doi:10.1016/j.neuron.2017.02.003
  14. Markun S et al. (2021). Effects of Vitamin B12 Supplementation on Cognitive Function, Depressive Symptoms, and Fatigue: A Systematic Review, Meta-Analysis, and Meta-Regression. Nutrients, 13(3), 923. doi:10.3390/nu13030923

Os suplementos alimentares não substituem uma alimentação variada e equilibrada nem um estilo de vida saudável. Pede aconselhamento a um profissional de saúde se tomas medicação, estás grávida ou a amamentar.

Continue a ler

Explore o diário

Da leitura ao ritual.

Explore as composições, compare embalagens e reserve tempo para escolher.

Todos os suplementos
  • Relaxamento
  • Sono

Zen

Relaxamento

Bisglicinato de magnésio, passiflora e vitamina B6

Até 90 dias

24,90€
  • Eliminação
  • Apoio ao fígado

Detox

Eliminação

Alcachofra, cardo-mariano e NAC

Até 90 dias

24,90€
  • Energia celular
  • Libertação retardada

NADH 25mg

Energia celular

NADH · 25mg · DRcaps™

Até 60 dias

39,90€